Poeminha de amor nº 1
Preciso fechar os olhos para ver
Os seus
Silenciar-me em toda parte que eu for
Cantar junto “Quase Sem Querer”
Voltar a acreditar em Deus
E pedir a Ele sorte no amor
Sim – preciso me amar mais!
Olhar no espelho o meu rosto
E me certificar de que estou aqui
Porque por mais que eu tente
Que eu cante
Escreva ou invente
Não consigo traduzir o que sinto
Quando vejo o seu olhar...
Nem quero!
Pois o encanto, só o encanto torna visível.
O que não se pode explicar...
É um blog para quem gosta de arte em geral. Ele reflete uma inquietude de quem cresceu ouvindo muito o bom e velho Rock'n Roll.
sábado, 7 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Tempestade
Éramos três. Eu, Tonico e Raul, enfrentando a chuva naqueles dias de janeiro. Éramos fortes, persistentes, espertos e ríamos muito de tudo aquilo.
A água pesada e avassaladora aos poucos destruía nossas fortalezas. Contrariando qualquer lógica aquilo era gosto. Irmanados por um sentimento inexplicável de prazer, continuávamos construindo as barragens que seguravam as águas até certo ponto.
Nunca esqueci de um tombo do Tonico, muito menos do que se seguiu. Raul que se encontrava agachado, juntando terra, imediatamente se levantou e correu para ajudá-lo.
Ver Raul dando a mão a Tonico assumiu para mim uma dimensão épica. Descobri naquele momento o sentido da tal solidariedade. Até então havia uma certa competição entre nós. Não queríamos nem saber um do outro. O outro era o outro. Ali de repente nos transformamos em três amigos de verdade.
Corri reerguer a barragem do Raul. E Tonico mostrava aos berros o joelho esfolado. O barulho do temporal não nos deixou ouvi-lo.
O fim da chuva quase sempre era de um silêncio triste. Às vezes coincidia com o anoitecer. Exaustos, voltávamos para nossas casas. Lembro-me do banho demorado; quase sempre era acabar o banho e me deitar; dormia o sono dos justos. Muitas vezes nem jantava.
Aos doze anos, fazer açudinho na calçada da rua de casa quando chovia era nossa pequena aventura e hoje quando olho para esse passado, bate aquele sentimento inexplicável de saudade.
Essa palavra faz-me lembrar de Tonico.
Ele agora é frentista de um posto de gasolina aqui da cidade. Vez em quando o vejo andando rápido, cabeça para o alto. Andar firme de pai-de-família. Com responsabilidade de erguer e reerguer muitas barragens. De vencer obstáculos e continuar sempre se levantando a cada tombo.
E Raul?
Dia desses o vi. Está formado doutor. Um advogado criminal que com certeza, é capaz de dar a mão quando necessário.
Assim é a vida. Alguns momentos nos marcam mais que outros. Seja por um gesto, seja pelo sentimento que ficou ou mesmo por algo que não tem explicação.
Esse tempo. Esse dezembro. Essa brincadeira que inventamos por não sobrar muito que fazer nos dias de chuva levou-me a escrever e ver de outra forma essa chuva que cai agora lá fora. Os gritos que só eu ouço. A saudade que só eu sinto.
“ Stand by Me”. (John Lennon)
A água pesada e avassaladora aos poucos destruía nossas fortalezas. Contrariando qualquer lógica aquilo era gosto. Irmanados por um sentimento inexplicável de prazer, continuávamos construindo as barragens que seguravam as águas até certo ponto.
Nunca esqueci de um tombo do Tonico, muito menos do que se seguiu. Raul que se encontrava agachado, juntando terra, imediatamente se levantou e correu para ajudá-lo.
Ver Raul dando a mão a Tonico assumiu para mim uma dimensão épica. Descobri naquele momento o sentido da tal solidariedade. Até então havia uma certa competição entre nós. Não queríamos nem saber um do outro. O outro era o outro. Ali de repente nos transformamos em três amigos de verdade.
Corri reerguer a barragem do Raul. E Tonico mostrava aos berros o joelho esfolado. O barulho do temporal não nos deixou ouvi-lo.
O fim da chuva quase sempre era de um silêncio triste. Às vezes coincidia com o anoitecer. Exaustos, voltávamos para nossas casas. Lembro-me do banho demorado; quase sempre era acabar o banho e me deitar; dormia o sono dos justos. Muitas vezes nem jantava.
Aos doze anos, fazer açudinho na calçada da rua de casa quando chovia era nossa pequena aventura e hoje quando olho para esse passado, bate aquele sentimento inexplicável de saudade.
Essa palavra faz-me lembrar de Tonico.
Ele agora é frentista de um posto de gasolina aqui da cidade. Vez em quando o vejo andando rápido, cabeça para o alto. Andar firme de pai-de-família. Com responsabilidade de erguer e reerguer muitas barragens. De vencer obstáculos e continuar sempre se levantando a cada tombo.
E Raul?
Dia desses o vi. Está formado doutor. Um advogado criminal que com certeza, é capaz de dar a mão quando necessário.
Assim é a vida. Alguns momentos nos marcam mais que outros. Seja por um gesto, seja pelo sentimento que ficou ou mesmo por algo que não tem explicação.
Esse tempo. Esse dezembro. Essa brincadeira que inventamos por não sobrar muito que fazer nos dias de chuva levou-me a escrever e ver de outra forma essa chuva que cai agora lá fora. Os gritos que só eu ouço. A saudade que só eu sinto.
“ Stand by Me”. (John Lennon)
Uma música que fiz já há algum tempo
Ilusão de Óptica
Não tenho paciência de tentar entender
As coisas que você não diz
E para tentar ser feliz
Já disseram que a ciência não explica isso
Da gente não ter resposta nunca
Mas é preciso viver
um dia de cada vez
Estamos atrás do que é simples
Estamos atrás do que é simples
Tentando conhecer o mundo
O mundo. O mundo inteiro
Tentando conhecer o mundo
O mundo. O mundo inteiro
Eu queria ficar junto o tempo todo
Mas acho que isso estragaria o prazer
De sempre nos surpreendermos
Com o que pensamos em dizer e fazer
Um com o outro
Não existe felicidade
Pra quem acredita existir
A vida é boa, a vida é bela
É o que a gente fizer dela
O que a gente quiser dela
Existem momentos melhores
Em que é possível sorrir
A vida é boa, a vida é bela
É o que você fizer dela
O que você quiser dela!
Não tenho paciência de tentar entender
As coisas que você não diz
E para tentar ser feliz
Já disseram que a ciência não explica isso
Da gente não ter resposta nunca
Mas é preciso viver
um dia de cada vez
Estamos atrás do que é simples
Estamos atrás do que é simples
Tentando conhecer o mundo
O mundo. O mundo inteiro
Tentando conhecer o mundo
O mundo. O mundo inteiro
Eu queria ficar junto o tempo todo
Mas acho que isso estragaria o prazer
De sempre nos surpreendermos
Com o que pensamos em dizer e fazer
Um com o outro
Não existe felicidade
Pra quem acredita existir
A vida é boa, a vida é bela
É o que a gente fizer dela
O que a gente quiser dela
Existem momentos melhores
Em que é possível sorrir
A vida é boa, a vida é bela
É o que você fizer dela
O que você quiser dela!
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Ô Crianças... Isso É Só O Fim... Só O Fim...
Tudo porque toda noite prometia...
A noite prometia e ele começou a se arrumar logo após “Os Trapalhões”. Algumas risadas já não tão fáceis como antes, pois, Zacarias, Muçum, Dedé e Didi já começavam a perder aquela manha que fizeram deles humoristas populares no Brasil todo e então um banho demorado. Perfume, uma penteada na cabeleira e a roupa que ele comprou na semana. Jantar ele já tinha jantado. Tomou um café preto e escovou os dentes com capricho, não se esquecendo do gargarejo depois. Encontrou os amigos na esquina e com eles partiu pra noite porque naquele tempo a noite sempre prometia.
Pararam no centro e foram ao Salloon Country Bar para as primeiras da noite. Tomaram umas cervas e ele ficou pensando porque afinal de contas caprichava tanto no hálito se logo depois teria que comprar um chiclete hortelã para disfarçar o gosto da bebida. Conversou aos berros, a música tocava alto, Titãs, Engenheiros, Ultraje e Legião se alternavam no aparelho de som do Ari. Combinaram de dar uma volta, ele sugeriu um oito. Saíram dali, viraram e passaram em frente ao bar do Ambrósio e depois atrás da igreja e passaram em frente ao bar da dona Luíza e fizeram a volta passando novamente pela rua em frente à pensão do seu Sarto para subir o quarteirão da Flipper Dance.
A noite prometia. Carros de outras cidades da região já faziam suas voltas de reconhecimento e ele e seus três chegados resolveram parar na esquina da casa da família Borba. Conversaram uns assuntos meio furados, como por exemplo, o que fariam se tivessem mais grana. As meninas, as garotas, as mulheres da cidade começavam a passar por eles e aquela era uma noite normal de domingo.
Dez da noite resolveram entrar na Flipper Dance. Passaram pela cortina vermelha e se aproximaram do centro do salão. Havia uns garotos dançando passinho e eles ficaram observando. Os quatro não eram de dançar, mas de observarem movimentando um pouco seus corpos. Cumprimentaram uns caras conhecidos e ouviram uns gritos do discotecário (hoje conhecido como DJ) era o Netinho nessa época, posto já ocupado pelo célebre Salada. Eram tempos de Alternativa FM, a primeira rádio pirata de Itaí. Netinho comunicou um novo hit, um som do guns chamado “Sweet child o‘mine” e muitos que estavam fora entraram e ninguém ficou parado. Ele também se viu levado a balançar o corpo pra valer, batendo cabeça com os olhos fechados e a sensação que ele teve foi indescritível. Anos depois essa sensação sempre lhe vem à mente quando tem que responder alguma coisa a respeito do que é a felicidade.
O toque de guitarra de Slash virou anos depois o seu toque de celular. E aquela noite prometia muito mais do que algumas horas de som e fúria porque por acaso um de seus amigos pediu pra que ele fosse buscar um hi fi e justamente quando ele estava chegando próximo ao bar foi que ele viu aquela gatinha que ele sempre observava de longe na escola. Nunca a tinha visto na Flipper e de fato aquela era a primeira vez em que ela tinha ido. Estava visivelmente encantada e ele encantado pela presença dela. Era hora das lentas e ao som de “Still Loving You” dos Scorpions ela ficou parada junto a uma amiga olhando para sua direção...
Ô crianças, isso é só o fim... Isso é só o fim...
A noite prometia e ele começou a se arrumar logo após “Os Trapalhões”. Algumas risadas já não tão fáceis como antes, pois, Zacarias, Muçum, Dedé e Didi já começavam a perder aquela manha que fizeram deles humoristas populares no Brasil todo e então um banho demorado. Perfume, uma penteada na cabeleira e a roupa que ele comprou na semana. Jantar ele já tinha jantado. Tomou um café preto e escovou os dentes com capricho, não se esquecendo do gargarejo depois. Encontrou os amigos na esquina e com eles partiu pra noite porque naquele tempo a noite sempre prometia.
Pararam no centro e foram ao Salloon Country Bar para as primeiras da noite. Tomaram umas cervas e ele ficou pensando porque afinal de contas caprichava tanto no hálito se logo depois teria que comprar um chiclete hortelã para disfarçar o gosto da bebida. Conversou aos berros, a música tocava alto, Titãs, Engenheiros, Ultraje e Legião se alternavam no aparelho de som do Ari. Combinaram de dar uma volta, ele sugeriu um oito. Saíram dali, viraram e passaram em frente ao bar do Ambrósio e depois atrás da igreja e passaram em frente ao bar da dona Luíza e fizeram a volta passando novamente pela rua em frente à pensão do seu Sarto para subir o quarteirão da Flipper Dance.
A noite prometia. Carros de outras cidades da região já faziam suas voltas de reconhecimento e ele e seus três chegados resolveram parar na esquina da casa da família Borba. Conversaram uns assuntos meio furados, como por exemplo, o que fariam se tivessem mais grana. As meninas, as garotas, as mulheres da cidade começavam a passar por eles e aquela era uma noite normal de domingo.
Dez da noite resolveram entrar na Flipper Dance. Passaram pela cortina vermelha e se aproximaram do centro do salão. Havia uns garotos dançando passinho e eles ficaram observando. Os quatro não eram de dançar, mas de observarem movimentando um pouco seus corpos. Cumprimentaram uns caras conhecidos e ouviram uns gritos do discotecário (hoje conhecido como DJ) era o Netinho nessa época, posto já ocupado pelo célebre Salada. Eram tempos de Alternativa FM, a primeira rádio pirata de Itaí. Netinho comunicou um novo hit, um som do guns chamado “Sweet child o‘mine” e muitos que estavam fora entraram e ninguém ficou parado. Ele também se viu levado a balançar o corpo pra valer, batendo cabeça com os olhos fechados e a sensação que ele teve foi indescritível. Anos depois essa sensação sempre lhe vem à mente quando tem que responder alguma coisa a respeito do que é a felicidade.
O toque de guitarra de Slash virou anos depois o seu toque de celular. E aquela noite prometia muito mais do que algumas horas de som e fúria porque por acaso um de seus amigos pediu pra que ele fosse buscar um hi fi e justamente quando ele estava chegando próximo ao bar foi que ele viu aquela gatinha que ele sempre observava de longe na escola. Nunca a tinha visto na Flipper e de fato aquela era a primeira vez em que ela tinha ido. Estava visivelmente encantada e ele encantado pela presença dela. Era hora das lentas e ao som de “Still Loving You” dos Scorpions ela ficou parada junto a uma amiga olhando para sua direção...
Ô crianças, isso é só o fim... Isso é só o fim...
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Destino
Ele pegou o ‘seven boy’ e passou requeijão (bastante, porque uma vez aberto, o vidro precisa ser consumido em oito dias) colocou uma colher de chá de ‘cappuccino’ e meia de açúcar num copo com água quente. Mexeu. Mordeu o pão e sorveu com prazer o café.
Ela acordou assustada. Sonhou novamente com seu ex. Era um pesadelo. Foi ao banheiro, percebeu que sua dor de cabeça do dia anterior ainda persistia. Lavou o rosto. Escovou os dentes. Todos já haviam saído para trabalhar. Na cozinha tomou um leite com ‘nescau’ e decidiu adiar a arrumação da casa para mais tarde. Deitou-se no sofá e com o controle remoto zapeou a tv de 42 polegadas recém comprada pelo pai.
Ele acabou o café e pegou o telefone.
Ela ouviu o telefone tocando e pensou: “a essa hora só pode ser o chato do Paulo. Não vou atender”.
Ele esperou dez chamadas e desistiu.
Ligou novamente uns dois minutos depois. Contou até quinze e desistiu novamente.
Ela levantou do sofá e constatou no celular que a ligação era de um número que não batia com os dos telefones do Paulo. O telefone tocou novamente. O mesmo número. Ela havia ido ao banheiro e ao ouvi-lo por pura preguiça, não atendeu.
Ele então foi até a garagem e pegou a bicicleta que quase nunca usava. Na carteira pegou o papelzinho com o endereço. Refletiu um instante sobre o melhor trajeto. Saiu pela calçada sem pressa. Sua bicicleta era uma ‘montain bike’ das velhas. A correia estava estralando, porém ele não tinha muita pressa de chegar.
Não tinha nada que prestasse na tv e ela decidiu ir dormir novamente. Jogou-se na cama. Tirou o sutiã e a calça. Ficou só de calcinha e camiseta. A dor de cabeça em seguida melhorou um pouco.
Vinte e dois minutos depois. Uns quarenta e cinco quarteirões de distancia percorridos sem muito esforço, lá estava ele chegando no endereço do papelzinho. Parou a bicicleta em frente ao portão de ferro. Olhou a casa imponente, tirou de um bolso o papelzinho e do outro uma carteira de mulher. Abriu-a e pegou os trinta e três reais que estavam dentro. Guardou o dinheiro no bolso e gritou o nome que estava escrito no papelzinho.
Vanusa estava tentando se lembrar de seu primeiro namorado. Era uma maneira de passar o tempo.
Lembrou e com os olhos fechados tentava se livrar da claridade do dia e reencontrar o sono. Estava quase dormindo quando ouviu seu nome sendo gritado. Era voz de homem e não era a do Paulo.
Ele pensou o quanto era estúpido. Se o telefone tocou e ninguém atendeu podia ser que por algum motivo ela não estivesse em casa. Fez então aquilo a que se propôs. Jogou a carteira o mais próximo que pôde da porta.
Ao abrir a porta ela viu pelas frestas do portão um rapaz na bicicleta e ao mesmo tempo algo cair a sua frente.
Era a carteira que julgava estar no bolso da saia que usara na noite anterior. Sem pensar gritou:
- Hein!
“E agora. Aquela moça bonita apareceu. Vai ver, é a dona da carteira. A tal da Vanusa”.
Ela primeiro abaixou e pegou a carteira e depois foi em sua direção.
“Ele é bonito, sarado. Não tem cara de malandro. A bicicleta é velha, mas seu tênis é um ‘Mizuno’ novo”.
Ele decidiu dizer algo:
- Ontem no clube vi a carteira no chão e por coincidência uma “mina” conhecia você da foto da identidade. É sua né? Aí ela escreveu teu nome e endereço e eu vim...
Ela notou que ele tinha aparelho nos dentes.
Ele notou que ela estava sem sutiã e que seus seios eram sensacionais.
Ela percebeu seu olhar e se deu conta de que havia se esquecido de pôr o sutiã; sentiu vergonha, mas se recompôs, perguntando:
- Você veio me entregar a carteira?
- Primeiro eu liguei... A garota sabia seu telefone também, só que...
Ele olhou para as pernas de Vanusa e sentiu uma coisa estranha.
- Só que ninguém atendeu.
- Ah...
Ela sentiu algo forte no olhar dele e percebeu que seus olhos eram verdes.
Dando uma risadinha ela respondeu:
- Eu não atendi porque achei que era meu ex-namorado.
“Que bom, ela não tem um namorado”.
- Meu nome é Luis... O seu eu já sei... É Vanusa, não é?
Olhou para os olhos dela e um sorriso surgiu em sua boca.
- Bom... o que eu tinha de fazer, eu fiz... Thiau.
- Você tem meu telefone, me liga tá...
O que ele ouviu era tão bom que não quis estragar. Saiu e quando estava no outro quarteirão olhou para trás e a viu acenando.
Ela virou as costas e ele parou, dando meia volta.
Ela pôs a mão na boca como se quisesse pegar suas palavras de volta. Quando ele virou, sem querer se viu acenando.
Não acreditava no que havia feito. Deu bola daquele jeito para um desconhecido. Entrou na casa ainda sob um estranho efeito de entorpecência. Deitou no sofá com os olhos para o teto; pensamentos obscenos lhe vieram à cabeça.
Ele parou novamente em frente ao portão. Tirou o dinheiro do bolso e chamou-a novamente.
Ao ouvi-lo chamando ela foi até o espelho, penteou seus cabelos, colocou rapidamente o sutiã e correu até a porta.
Dessa vez, ele deixou a bicicleta na calçada. Abriu o portão e foi até a porta. Assim que ela apareceu sem falar nada ele lhe entregou o dinheiro.
Ela pegou o dinheiro e entendeu tudo.
Ele virou as costas e se foi.
Ela fechou a porta e os olhos.
E os dois nunca mais se viram.
“The Firm”
Engraçadinho
Deixei minha rebeldia de lado
Ei! Ouviu? Deixei a rebeldia
Com ple ta men te de lado
E fui dormir pelado...
Esqueci de fazer a barba
Mudei por completo o penteado
E ao te ver, já nem fico suado
Nem procuro sentir raiva.
Apenas sento ao seu lado no ônibus
De vez em quando suspiro:
Mmmfffffmmmmmmfffff
E durmo, sem falar um á
Você então finge que dorme
Para eu não acordar...
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